Notícias
 
 
 
 Quando as massas seguem sem o saber
  18/04/2010 10:31
 
   Luciano Pizzatto

O Código Florestal Brasileiro não é uma novidade, remonta à década de 30 e só agora gera profundo debate e pressão a favor ou contra, que, contrário do que parece, não é fruto da nova consciência ambiental, mas sim das conseqüências da sua aplicação, cuja factibilidade técnica mostrou erros conceituais primários, de maior ou menor impacto.

E uma lei não é por si justa ou um dogma. Uma lei é instrumento de coexistência em uma sociedade, onde critérios ou princípios aceitos por uma maioria são regulados, para que a sociedade, inclusive os que discordam, possam viver da forma mais justa possível no momento.

O simples exemplo de aplicar dois critérios, um da APP e outro da Reserva Legal, mostra ser matematicamente inviável em algumas regiões e injusto para aqueles com grandes áreas de APPs – totalmente restritiva -, por condições locais topográficas ou hídricas, e ainda precisam manter o percentual adicional de Reserva Legal – no fundo, uma reserva de recurso que hoje se confunde com conservação da biodiversidade e da política climática.

Nesse exemplo, a solução em um novo texto da lei não só esbarra na procura de princípios que, se existem, não se podem relacionar ao tamanho da área, pois devem ser conceituais (os limites de tamanho da propriedade são políticos ou ideológicos), como também é limitada principalmente pela nova sociedade, que não conhece mais o rural, e 80% das pessoas urbanas desconhecem as pessoas rurais.

Nesse sentido, as forças políticas utilizam vários meios, e, intencionais ou não, enfrentamos como maior entrave não a divergência cientifica, mas uma prática de caráter psicossocial envolvendo três fatores dos movimentos de massas: a desumanização do tema, a justificativa moral e o efeito “manada”. Não tratamos mais de indivíduos como o agricultor José ou a Maria, são inumanos, do tipo latifundiário, invasor, madeireiro, pirata, jagunço e outros adjetivos. Temos como justificativa moral a ganância, o lucro fácil, o capitalismo e tantos outros. E, no final da equação, uma “manada”, no conceito das massas voltadas a salvar o planeta frente a imagens diárias de geleiras gotejando, enchentes ou outras motivações, na qual todos correm seguindo o líder de algo ainda não definido, em especial, os interesses envolvidos na manipulação dessas massas.

É tão interessante essa ótica de análise, que a população urbana, na sua maioria, nunca viu pessoalmente um desmatamento, mas todos os dias tem na sua alma que isso é um problema e precisa de solução (e é verdade), mas sai às ruas e vê todos os dias (e não enxerga) a fumaça dos caminhões ou ônibus, usa embalagens de plástico, constrói com cimento e não madeira, vive no meio do lixo, inclusive em praias como Copacabana, consome sempre cerveja gelada a um alto custo energético ambiental e tantos outros que se somam a milhões de usuários poluentes e impactantes, que pouco fazem no seu entorno, mas precisam salvar a Amazônia!

Pessoas precisam readequar o processo de ocupação do meio rural com técnicas conhecidas, como o manejo florestal, o plantio direto e outras, falando para uma maioria que não possui nenhuma motivação para esses temas e ainda é bombardeada por informações ditas “técnicas” dos que formam movimentos sociais e não precisam de registro no CREA ou diploma universitário, pois lutam pela causa messiânica de salvar o planeta.

Como tudo, o salvar, como é a pergunta que se discute na revisão do Código Florestal, precisa ser respondida primeiro com o máximo do conhecimento científico existente, e, posteriormente, ajustadas as condições geossociais de cada região do país e, ainda, das relações e compromissos internacionais.

A revisão não só do Código Florestal Brasileiro, mas de toda a política brasileira, é salutar, mesmo que se limite a uma ampla discussão em sua primeira etapa. O texto da atual lei só é aplicável com o subterfúgio de interpretações que não existem no texto original, caso do “Decreto” de Crimes Ambientais, que criou tipos penais (um absurdo jurídico) ou de conceitos como APPs em lagos e lagoas artificiais, o que, ao pé da letra, levaria a demolir o entorno da lagoa Rodrigo de Freitas, o Palácio Jaburu do vice-presidente e todas as aguadas para carneirinhos e peixes do país.

E não é exagero, apenas uma leitura literal da lei, pois, se forças policiais se deslocam fortemente armadas para prender quem cortou uma árvore no meio rural, pode ser que um dia lembrem que a mesma lei pode levar sirenes às casas que serram árvores caídas por vendaval sobre seus telhados, sem o devido processo de autorização, (como é necessário no meio rural) ou até a falta de APPs nos jardinetes com carpas coloridas de alguns hotéis. Assim é a lei, escrita sem as condições da prática do uso ou o clamor social atual. Por isso estudar mudar, e mudar no que for necessário é avançar.

(*) Luciano Pizzatto: É engenheiro florestal, especialista em direito socioambiental e empresário, diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF/IBAMA 88/89, deputado desde 1989, detentor do 1º Prêmio Nacional de Ecologia.

Fonte : Revista Opiniões (edição: DEZ 2009 – FEV 2010)
   
 
14/03/2010 11:38 - Água e Turismo
14/03/2010 11:31 - Política Nacional de Resíduos Sólidos é aprovada na Câmara dos Deputados
14/03/2010 11:20 - Peixes sentem dor e têm sentimentos
11/03/2010 19:39 - Criação em cativeiro aumenta população de peixes no Pantanal
09/03/2010 09:32 - Estudante de escola pública vence concurso internacional
16/02/2010 03:42 - Para sempre lembrar. O que é Ecoturismo
16/02/2010 03:37 - Melhor aproveitamento de fertilizantes pode suprir 20% da demanda nacional, diz pesquisador
16/02/2010 03:32 - 35% da coleta seletiva acaba no lixo comum
16/02/2010 03:27 - British Airways usará biocombustível feito de lixo a partir de 2014
05/06/2008 15:42 - ONG confirma alta no desmatamento
05/06/2008 15:40 - No Dia Mundial do Meio Ambiente, maior desafio é salvar a Amazônia
15/05/2008 16:36 - O Taboa Bar Agradece!!!
18/10/2007 11:06 - Hoje tem festa!!!!!!Parabéns taboa!!!!!!!
29/08/2007 00:36 - ONU vê novo acordo climático com cautela
29/08/2007 00:29 - ECOLUNA – Cigarro e respeito ao meio ambiente não combinam
31/07/2007 16:28 - Comissão Européia de Turismo seleciona melhores roteiros gay no continente
31/07/2007 16:27 - Agências de viagens registram queda de 25% na procura por pacotes turísticos
25/04/2007 15:43 - CACHAÇA TABOA EM BRASÍLIA
25/04/2007 15:41 - CACHAÇA TABOA EM PORTO ALEGRE
31/03/2007 17:07 - CACHAÇA TABOA EM S.PAULO
10/03/2007 20:15 - Dia Internacional da Mulher
30/12/2006 03:24 - Últimos seis anos foram os mais quentes da história, diz ONU
28/12/2006 19:52 - Estudo mostra grande contraste de perda de ozônio nos pólos Norte e Sul
23/12/2006 17:58 - Desmatamento foi o crime ambiental mais cometido em 2006
23/12/2006 17:51 - Portaria estimula melhor aproveitamento do lixo em aterros sanitários
23/12/2006 17:49 - Para brasileiro, preservar e crescer pode ser viável
12/04/2006 02:14 - O aquecimento global pode ser freado.
12/04/2006 02:08 - Gestão dos grandes rios e lagos do mundo
12/04/2006 01:59 - Taboa 2006!!!


Mais Noticias
 
 
 

 
     

 

 



   
HOME | FOTOS | QUEM SOMOS | CACHAÇA TABOA | NOTÍCIAS | BONITO | CONTATO
Taboa Bar - Bonito - Mato Grosso do Sul
Criado e desenvolvido por PontoInf. Informática